fora da lei

há algum tempo não se falava em dívidas, nem em reações do mercado de trabalho transnacional ou superlotações de preocupação monetária na minha monótona e pobre vida. porém há agora um dilema letal, que devo conviver pelos meus dias mais serenos até os superenos e os que tiram azia e má digestão: a dívida da biblioteca.

não tem como não pagar, senão fico sem meus queridos livros que só vou ler quando estiver sem fazer nada - o que não inclue utilidade, e sim sem fazer nada mesmo. por exemplo, aqueles sobre a personalidade jungiana, que é muito importante pra minha formação visto que a psicologia analítica é uma ciência nem um pouco valorizada e esquecida até no currículo da faculdade.

porém não hei de me desestabilizar emocionalmente. há luz além da dívida de dois reais que não me permite ser um cidadão da literatura, assim como nunca fui e nunca deixarei de não ser. o que me incomoda é a falta de perspectiva dos funcionários da famigerada biblioteca. uma moça de meia idade, que se veste como uma avó que quer interagir com as netas adolescentes, daquelas que ouve avril lavigne e fala coisas como "massa", só que age de maneira manifesta contraditória, também na sua linguagem formal impecável, atua como uma perfeita funcionária, seguidora do manual do bibliotecário ilustrado da imago, e não dá nenhum tipo de brechas para os estudantes carentes de vergonha. se fosse com a estagiária do ano passado, aquela que ia em festas e cadastrava seu livro em nomes de pessoas que não frequentavam a faculdade quando sua carterinha estava cheia, teria cancelado as dívidas como se fossem pagas. assim como fez quando perdi o atestado de devedor necessário para sanar a barbárie monetária, com um gesto cristão de conduta anti-moral porém éticamente absoluta.

por um ponto de vista literalmente metafórico, é um contrato felicidido que me deixou encucado por algumas horas. que aliás, me impediram de ler outros 3 livros alugados.

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