ainda lembro

muita coisa do que sou, que escrevo ou canto começa com não.

a palavra não me representa de maneira positiva o suficiente pra que o sim não faça falta

sou infantil ainda, mas não sei se isso é ruim ou mal. não vejo muita coisa no mundo com agrado, e na maioria das vezes me impeço de impedir que aconteça o repugnante. talvez com medo de ser repugnado também, com medo de ditongos e consoantes, ou simplesmente a falta de coragem. não existe diferença nenhuma entre o que fui e o que sou em algumas características. acho que não preciso listar, são somente aquelas dúvidas clássicas que motivam suicídios prematuros mundo a fora. a não coragem de dizer o que quero, ou de pensar no que quero, ser dono de alguma coisa, ao menos de mim, da minha cabeça ou do que faço por reflexo, tudo isso vai roendo meu ser aos poucos, como se cada frustração de existir fosse um fio de cabelo a ser a rancado.

existe diferença entre falta de coragem e não coragem, mas não tô afim de explicar

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