muito tempo atrás, existia um único ser humano. possuía os dois sexos, duas cabeças, oito membros e muitos fios de cabelo. os seres eram todos iguais na sua igualdade. um cara meio amalucado resolveu barbarizar e fudeu toda a não-cultura desses seres dividindo cada um deles em dois. tá, isso tudo é uma história. história que virou estória, que virou lenda, que virou mito, que virou alvo de análise
esqueçam isso aí em cima, vamos ao que gostaria de dizer: a luta dos homens e das mulheres pela liberdade subjetiva é muito parecida. não tem nada a ver com a mitologia de zeus, tem a ver com entender que a ordem que estabelece que seria bacana mostrar o umbigo da mulher é a mesma que publica esse umbigo como ato de desordem, de vulgaridade. ao homem, por sua vez, é promovida a saúde como inversão, seus níveis de glicemia não são tão importantes quanto o tamanho do seu bíceps, que nada vai ajudar no trabalho profissional e especializado ao qual é fertilizado. notou a diferença? também não notei
a luta pela liberdade subjetiva, pela diferença, singularidade, não pode se focar em quem sofre mais. é óbvio que o sofrimento também é subjetivo: antes de falar quem sofre mais, façam uma escala de sofrimento! não importa quem sofre, todos sofremos, isso é evidente. se posicionar diante de um gênero, de uma fôrma existencial, e agarrar a sua luta diante disto é confortável, mas é também reafirmar que as instituições que cometem a promoção da violência estão certas. nos separar em quem tem pinto ou buceta, quem tem dinheiro ou não, quem tem rastafari ou moicano... que limitação!
concluo sem concluir: não se intrometa nos meus pensamentos, por não ter me intrometido nos seus. se acredita que homens e mulheres são opostos nas suas aflições e nas limitações a que são impostos, sua crença permanece crença, passa longe do pensamento e dá força ao poder que te põe pra baixo
doer, dói. não doer, dói mais ainda
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