não dá pra colocar certas coisas no popular. quando você conta algo de ruim que lhe fizeram, se foi vítima de algum abuso de qualquer ordem, se caçoaram, alvejaram, roubaram, não importa, sempre terá de ouvir outra coisa dolorosa, que parece que acompanha a perda do algo que foi roubado do vitimado. Sempre, não haverá escapatória, sempre alguém vai lhe dizer o que deveria ter sido feito segundo sua índole crítica, seu olhar aromanticado, para evitar o acontecido, fato que de tabela desmerece a vítima, caracterizando a coitada como fraca, e colocando ela também na posição de culpado pela injúria sofrida, visto que se agisse de determinada forma poderia ter saído de boa.
um exemplo que todos já devem ter ouvido:
"-ae creidir
-ae juvelino
-cê tá meio abalado, aconteceu alguma coisa?
-sabe o coisão? o cara da rua de baixo de 2,30m que bate em todo mundo?
-sei..
-então, meteu um sopapo na minha orelha, na frente de todo mundo!
sentimento triste, encabulado, impotente
-ah, mas tu é um besta mesmo hein, creidir! qualé rapaz? se fosse comigo teria dado uma paulada nele na hora, na frente de todo mundo!
-..."
ninguém precisa de conselhos depois que algo acontece. ninguém precisa de conselhos. notem que a expressão do vitimado nem é levada em consideração, não há um esforço para minimizar o dano cometido, e sim uma elaboração categórica que põe o vitimado numa categoria inferior de "malandragem" do que o conselheiro, o que acaba aumentando o dano. creidir pode se sentir culpado por toda a tristeza e vergonha a que foi exposto, porque se tivesse agido segundo o manual de conduta do conselheiro não teria terminado daquele jeito.
aí que tá. até quando é conselheiro, até quando é vítima? um conselheiro na posição de vítima ouviria as mesmas declarações ausente de empatia que discursava anteriormente, e nem se daria conta disso, o que não viabilizaria uma disputa interna, levando à extinção do conselho.
mas isso é coisa pra outra coisa, agora vou ali coisar e já volto
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